Tecnologias de gênero no Direito: a constelação familiar sistêmica como dispositivo de (re)produção de subjetividades

Autora: Elizabete Pellegrini-Garcia

A constelação familiar sistêmica tem ganhado crescente visibilidade no Brasil, deslocando-se gradualmente dos círculos esotéricos para o campo jurídico. A partir de uma abordagem interpretativa, analiso os discursos que sustentam sua aplicação em casos de violência doméstica, identificando duas vertentes principais. A primeira compreende o conflito como uma dinâmica de corresponsabilidade entre todos os envolvidos; enquanto a segunda propõe que tal corresponsabilização seja mediada por uma perspectiva de gênero. Ao examinar como essas abordagens se articulam ou entram em tensão com os sentidos atribuídos à informalização da justiça, sustento que o uso da constelação no campo jurídico opera como um dispositivo pedagógico que pretende orientar a produção de subjetividades e (re)produzir narrativas sobre família, papéis de gênero e ordem social. Defendo, portanto, que sua adoção pode implicar restrições a direitos já consolidados, o que exige uma análise crítica aprofundada.

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