Category: L_PESQUISA – Policiamento_filtragem

  • Policiamento ostensivo e relações raciais: estudo comparado sobre formas contemporâneas de controle do crime

    Organizadora: Jacqueline Sinhoretto 

    A pesquisa estudou as relações entre policiamento e relações raciais, com foco no modelo ostensivo, suas práticas típicas, e a produção da desigualdade racial na segurança pública e no controle do crime, em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Os resultados apontam enorme diferença no tratamento e no uso da força sobre negros em relação a não-negros. Apesar de negarem a existência de racismo nas polícias militares, os policiais testemunharam sobre os mecanismos de racialização de suspeitos nos saberes que orientam o policiamento e sobre como enxergam o papel da polícia numa sociedade atravessada pela desigualdade racial.

    Livro físico

    Ebook

  • Matar muito e prender mal

    Autora: Maria Carolina Schlittler
    O livro analisou o impacto das desigualdades de tratamento no policiamento ostensivo em São Paulo sobre juventude negra. Com base em dados quantitativos, entrevistas com policiais e ativistas de movimentos sociais, analisa a atuação policial e as políticas públicas de segurança, demonstrando a persistência do racismo institucional. A autora é pesquisadora do GEVAC e doutora em Sociologia pelo PPGS UFSCar. Foi publicado com o apoio do INCT-InEAC.

    O livro pode ser adquirido no site da editora Autografia

  • A doutrina da ROTA: o ethos do “Policial de ROTA”

    Autor: Henrique de Linica dos Santos Macedo
    Este artigo tem como objetivo apresentar a doutrina das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), destacando a moralidade nela descrita e imposta. A “Doutrina de ROTA”, categoria nativa dos sujeitos da pesquisa, carrega em si uma série de histórias e prescrições morais que orientam as práticas profissionais e pessoais dos policiais que pertencem a este batalhão da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP). Neste sentido, a “doutrina de ROTA” passa a ser uma cruzada moral dos policiais, uma forma constante de ação que demonstra uma resistência a mudanças sociais e institucionais. Ao analisar a produção bibliográfica de policiais que já passaram pelo batalhão, além de outras fontes discursivas colhidas durante a realização do campo, constatou-se que um padrão discursivo que sempre evocava a “doutrina de ROTA”, uma forma organizacional de organizar e consolidar uma forma de “fazer polícia”. Contudo, essa uniformização demonstrou uma forma política e militarizada de conduzir práticas e disputar moralidades, seja internamente na PMESP, seja na sociedade. O resultado de pesquisa demonstrou como essa dinâmica interna produziu uma visão de mundo que busca uma uniformização de condutas, cujo objetivo é ressaltar a imagem de heroísmo e bravura tanto do policial de ROTA, quanto do 1° Batalhão de Polícia de Choque.

    Acesse aqui. 

  • ‘Vítimas inocentes pagam o preço da política equivocada de enfrentamento do crime organizado’- Via CBN

    A questão da segurança foi tema de discussão no Estúdio CBN. O jurista e comentarista da CBN Wálter Maierovitch, a professora de direito Eloisa Machado e a professora de sociologia Jacqueline Sinhoretto falaram sobre a transferência de 22 detentos da maior facção criminosa do estado de São Paulo e o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro.

     

    Wálter Maierovitch e Jacqueline Sinhoretto falaram sobre segurança pública no Estúdio CBN. Foto: Vinícius Custódio/CBN (Crédito: )

    Wálter Maierovitch e Jacqueline Sinhoretto falaram sobre segurança pública no Estúdio CBN. Foto: Vinícius Custódio/CBN

     

    Acesse o áudio da entrevista : ‘Vítimas inocentes pagam o preço da política equivocada de enfrentamento do crime organizado’- Via CBN.

  • “MATAR MUITO, PRENDER MAL” A produção da desigualdade racial como efeito do policiamento ostensivo militarizado em SP

    Autor(a) : Maria Carolina de Camargo Schlittler .

    Resumo :

    A tese analisa a articulação entre práticas policiais cotidianas e a conformação do policiamento ostensivo militarizado protagonizado pela Polícia Militar. O presente trabalho partiu de entrevistas e análise de dados oficiais da segurança pública paulista para compreender como os policiais, durante o policiamento ostensivo, selecionam as pessoas que sofrerão as investidas da polícia e, por conseguinte, do sistema de justiça criminal. A partir daí foi possível entender, de forma específica, quais são os públicos e os crimes mais vigiados pelos policiais militares e, de forma abrangente, as características do modelo de policiamento ostensivo paulista. Constatou-se que o
    objetivo do policiamento ostensivo é flagrar suspeitos criminais, o que incute à PM a responsabilidade de selecionar e “retirar” das ruas aqueles que os policiais identificam como “bandidos”. Para tal estão disponíveis à PM, sobretudo, três recursos: a) o
    aprisionamento ou b) a eliminação daqueles identificados como bandidos e c) o tirocínio policial enquanto ferramenta para diferenciar “bandidos” e “cidadãos de bem”. Uma das conclusões da pesquisa é a constatação da ampla utilização do tirocínio
    pelos policiais que atuam no policiamento ostensivo e de seu aspecto racializado; isto significa que, para a fundamentação da suspeita policial, são utilizados marcadores raciais. Desta forma, o tirocínio, ao lado da letalidade policial e do aprisionamento se
    tornaram responsáveis pelo acúmulo de desvantagens para a população jovem e negra, no que tange ao direito à vida segura e a um maior risco de serem presos por crimes patrimoniais em relação ao restante da população. No mais, constatou-se que nos últimos vinte anos há uma insistência por parte da segurança pública paulista num policiamento ostensivo com tais características, mesmo diante do insucesso na diminuição no número de crimes patrimoniais no estado de São Paulo.

    Acesse: “MATAR MUITO, PRENDER MAL” A produção da desigualdade racial como efeito do policiamento ostensivo militarizado em SP

  • Mapa do Encarceramento: os jovens do Brasil

    Autora: Jacqueline Sinhoretto

    A pesquisa é resultado de uma consultoria do GEVAC – UFSCar à Secretaria Nacional de Juventude / Secretaria Geral da Presidência da República para analisar os dados do DEPEN (2005-2012) e do SINASE (2011-2012). A análise mostra o crescimento do número de presos no país, com análises por idade, cor/raça e gênero, por Estados. Inclui comparação entre evolução do encarceramento e das taxas de homicídio. Conclui que o crescimento do encarceramento é impulsionado pela prisão de jovens e de negros e que o crescimento do número de presos não está relacionado à redução de homicídios.

    Acesse aqui

  • Taxa de negros mortos pela polícia de SP é 3 vezes a de brancos, diz estudo – Via G1

    Policiais envolvidos, entretanto, são, em sua maioria, brancos (79%).Professora da UFSCar fala em ‘racismo institucional’; SSP analisará dados.

    Thiago ReisDo G1, em São Paulo

    26/03/2014 07h58 – Atualizado em 26/03/2014 13h58

    Letalidade policial em SP (Foto: Arte/G1)

    O índice de negros mortos em decorrência de ações policiais a cada 100 mil habitantes em São Paulo é quase três vezes o registrado para a população branca e a taxa de prisões em flagrante de negros é duas vezes e meia a verificada para os brancos. É o que mostra um estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que será divulgado oficialmente no dia 2 de abril.

    Os dados revelam que 61% das vítimas da polícia no estado são negras, 97% são homens e 77% têm de 15 a 29 anos. Já os policiais envolvidos são, em sua maioria, brancos (79%), sendo 96% da Polícia Militar.

    A coordenadora da pesquisa, Jacqueline Sinhoretto, diz que existe hoje um “racismo institucional”. “Não é que o policial como pessoa tenha preconceito. É o modo como o sistema de segurança pública opera, identificando os jovens negros como perigosos e os colocando como alvos de uma política violenta, fatal”, diz.

    O estudo sobre a letalidade policial, feito pelo Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos da universidade, levou em conta 734 processos da Ouvidoria, de 2009 a 2011, com 939 vítimas.

    Procurada pelo G1, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo diz que não teve acesso ao teor e à metodologia da pesquisa, “o que a impede de fazer comentários mais precisos sobre as conclusões”. “No entanto, os dados do estudo serão avaliados pela SSP e pelas polícias. O objetivo é definir se os dados apurados podem subsidiar aprimoramentos das políticas públicas de segurança”, informa, em nota.

    Quando os dados de mortes de 2011 de negros (193) e brancos (131) são comparados à população de cada etnia residente em SP, a taxa de negros mortos por 100 mil fica em 1,4, contra 0,5 dos brancos. Segundo os números da pesquisa, a população de negros no estado de São Paulo é de 14,3 milhões e a de brancos, 26,4 milhões.

    “Isso é grave. Só o fato de a polícia ter um grau de letalidade tão alto já é muito problemático para uma democracia. Quando isso ainda contém um viés racial tão claro é porque a gente está diante de uma desigualdade, produzida por uma política de segurança definida”, afirma Jacqueline.

    Para ela, uma das causas da alta letalidade policial é a impunidade. A pesquisa revela que 94% dos inquéritos policias do período foram concluídos sem indiciar nenhum policial. Em 73% deles, a razão apontada pelos delegados foi a de que “não houve crime de homicídio por parte dos policiais”.

    Existe um racismo institucional. Não é que o policial como pessoa tenha preconceito. É o modo como o sistema de segurança pública opera, identificando os jovens negros como perigosos e os colocando como alvos de uma política violenta, fatal”
    Jacqueline Sinhoretto, coordenadora da pesquisa da UFSCar

    Com relação à Corregedoria, 60% dos processos identificaram que não houve transgressão disciplinar na conduta dos policiais. “Eles fazem isso sem realizar uma investigação mais aprofundada. O que a gente viu nos autos é que a conclusão é feita de maneira sumária. É um pressuposto de que a polícia atirou porque a pessoa era criminosa”, diz a coordenadora do estudo.

    “A morte violenta, no entanto, ocorre muito precocemente. Isso indica que outras políticas de prevenção e repressão ao crime não foram nem sequer tentadas com esses cidadãos, isto supondo que eles realmente cometeram crimes, porque se não há apuração, não se pode afirmar se eles foram mesmo mortos porque cometeram delitos”, complementa.

    Jacqueline diz que há atualmente uma “conivência” de todas as esferas com a política violenta exercida em São Paulo.

    Prisões em flagrante
    A pesquisa também fez um recorte das prisões em flagrante por homicídio e roubo realizadas no estado de 2008 a 2012, com base nos dados da Secretaria da Segurança Pública. Os negros foram novamente maioria.

    Quando os dados de prisões de 2012 de negros (3.592) e brancos (2.682) são comparados à população de cada etnia residente em SP, a taxa de negros presos a cada 100 mil fica em 35, ante 14 dos brancos. “Isso mostra que a polícia está fazendo a vigilância e a repressão, violenta ou não, privilegiando claramente os jovens negros, de modo racializado”, afirma.

    ACESSE : Taxa de negros mortos pela polícia de SP é 3 vezes a de brancos, diz estudo .

  • Pesquisa da UFSCar aponta desigualdade racial na ação da PM em São Paulo – Via Geledes

    Pesquisa da UFSCar aponta desigualdade racial na ação da PM em São Paulo

    Data: 

    Pesquisadores constataram que negros são maioria entre vítimas de mortes cometidas por policias, são mais presos em flagrante e mais visados em abordagens.
     
    Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos realizaram uma pesquisa inédita sobre o racismo na ação da Polícia Militar paulista. Os dados obtidos em entrevistas com policiais, observação das abordagens e análise de dados estatísticos mostram que os policiais matam e prendem mais pessoas negras do que brancas.
    Coordenada pela Profa. Dra. Jacqueline Sinhoretto, do Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos (GEVAC) do Departamento de Sociologia da UFSCar, a pesquisa analisou Inquéritos Policiais que versam sobre mortes cometidas por policias e que são acompanhados pela Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo e ainda dados obtidos junto à Secretaria de Segurança Pública. Além disso, foram entrevistados oficiais e praças da PM.
    A pesquisa descobriu que em São Paulo, nos anos de 2010 e 2011, entre as vítimas de mortes cometidas por policiais, 58% são negras, ao passo que na população residente do estado o percentual de negros é de 34%. Para cada grupo de 100 mil habitantes negros, foi morto 1,4, ao passo que, para cada grupo de 100 mil habitantes brancos, foi morto 0,5. Segundo a coordenadora da pesquisa, estes números deixam evidente a ausência de políticas de segurança pública para a população negra, que culmina nas altas taxas de mortalidade por homicídio neste grupo.
    Além da produção da desigualdade racial na letalidade policial, a pesquisa constatou ainda que a vigilância policial é operada de modo racializado. Em São Paulo, a taxa de flagrantes de negros é mais que o dobro da verificada para brancos. Também segundo Sinhoretto, estes dados expressam que a vigilância policial privilegia as pessoas negras e as reconhece como suspeitos criminais, flagrando em maior intensidade as suas condutas ilegais, ao passo que os brancos gozam de menor vigilância da polícia para suas atividades criminais.
    A pesquisa será apresentada em evento da Escola da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, no dia 02 de abril, às 9h30, no Auditório da Rua Boa Vista, 200, na região central da capital.
  • Juventude e violência policial no Município de São Paulo

    Autoras: Jacqueline Sinhoretto, Maria Carolina Schlittler e Giane Silvestre
    Neste artigo são analisadas violências que acometem a juventude na cidade de São Paulo, utilizando dados quantitativos produzidos pelas Secretarias Municipais de Saúde, Serviços e Assistência e Desenvolvimento Social. Os dados mostram: a) a significativa tendência de diminuição no número de homicídios na cidade de São Paulo na última década, embora a mesma tendência não seja observada nas mortes decorrentes da ação policial; b) que na aferição do uso da força policial verifica-se desproporcionalidade na ação das polícias na capital paulista; c) o perfil específico das vítimas da letalidade policial e a distribuição espacial dessas mortes na cidade de São Paulo. Focalizam-se os desafios e limites encontrados pelos municípios na proposição de programas de avaliação e redução da violência diante de velhos dilemas da segurança pública, como é o caso da letalidade policial. Conclui-se que a violência policial é um dos principais desafios para a vida segura dos jovens paulistanos.

    Acesse aqui.

  • Desigualdade e segurança pública em São Paulo: letalidade policial e prisões em flagrante.

    Autor(as) : SINHORETTO, J., SILVESTRE, G., SCHLITTLER, M.C.

    Status : Concluido

    Resumo : A pesquisa “Desigualdade racial e segurança pública em São Paulo: letalidade policial e prisões em flagrante” foi  desenvolvida pelo Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos da Universidade
    Federal de São Carlos (GEVAC/UFSCar), coordenado pela Profa. Dra. Jacqueline Sinhoretto, no âmbito do programa
    de pesquisa “Segurança pública e relações raciais”. Outros estudos sobre a temática vêm sendo desenvolvidos neste programa, inclusive em pareceria com outros estados brasileiros*.
    O objetivo foi investigar a existência de mecanismos de produção da desigualdade racial na
    atividade policial em São Paulo**. Diante da inexistência de dados disponíveis sobre a atividade policial de
    abordagem, foram utilizados outros indicadores de monitoramento do tratamento policial nos diferentes
    grupos da população paulista.

    ACESSE : Desigualdade e segurança pública em São Paulo: letalidade policial e prisões em flagrante. 

  • A filtragem racial na seleção policial de suspeitos: segurança pública e relações raciais.

    Autor(a):SINHORETTO, J et al

    Status: Concluído

    Resumo :A pesquisa teve como objetivo investigar a existência de mecanismos de filtragem racial na abordagem policial e as respostas institucionais construídas pelas polícias militares. Foi desenvolvida em quatro estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Minas Gerais. O objeto foi analisado a partir de três eixos: i) dados quantitativos e qualitativos oriundos de diferentes fontes, que permitiram reconhecer como é produzida a identificação de suspeitos pelas polícias militares estaduais, assim como reconhecer os resultados das abordagens e demais ações policiais sobre os distintos grupos étnico-raciais; ii) compreensão das acusações de racismo institucional na atuação policial formuladas contra as Polícias Militares dos estados, recorrendo aos principais atores que formulam denúncias ou propõem ações de enfrentamento ao racismo no campo da segurança; iii) compreensão das respostas institucionais oferecidas pelas polícias militares diante das denúncias e propostas de enfrentamento ao racismo institucional, incluindo aqui a criação de procedimentos para a abordagem policial e a análise
    dos currículos dos cursos de formação policial. O principal achado da pesquisa foi a constatação, nos estados estudados, da existência da filtragem racial na abordagem policial, ou seja, que a racialização das relações sociais no Brasil se expressa de maneira contundente no campo da segurança pública.

    ACESSE : A filtragem racial na seleção policial de suspeitos: segurança pública e relações raciais.